Peguei-me novamente
em meio ao duelo que se encontra o meu coração e a minha mente, não sei ao
certo se a história foi apenas uma desculpa pra sair da tremenda confusão em
que me enfiei, na verdade era isso o que eu costumava fazer quando sentia
alguma dúvida. Juro por todos os sorrisos que poderei dar-te que não queria que
isso estivesse acontecendo, sempre fui bastante objetiva, nunca tive um meio
termo as minhas decisões eram sempre sim ou não. Dessa vez não pretendo usar de
palavras cultas, espero que as minhas poucas e singelas palavras toquem você
como estou sendo tocada. Eu sempre fui uma mulher madura o suficiente pra saber
que amor é algo que dificilmente pode ser comparado a qualquer pessoa, vivo
correndo atrás de momentos que possam ser considerados felizes, sempre bem
centrada, com planos pro futuro, mas não sabia o que faria daqui a dois
minutos, um tanto quanto pensativa em alguns pontos, mas totalmente impulsiva
em outros, achando que a minha vida estava definida em 4 partes e nada mais,
família, escola, namoro e amigos (amigos de verdade eu digo). O fato é que as
pessoas têm que ser surpreendidas senão a vida não teria graça, apesar de minha
vida ser boa em alguns pontos, mas péssima em outros, sempre tentei
equilibrá-las de forma que pudesse viver. Procurei a trilha sonora perfeita, as
palavras perfeitas, o momento perfeito, mas não os encontrei, acho que assim
como a minha humildade devem ter ficado abandonados durante a minha
peregrinação (um pouco de descontração talvez?), escrevi e apaguei diversas
vezes essa história, mas como? Eu nunca havia feito isso, escrever sempre foi
uma das minhas dádivas, um dos meus mais prazerosos dons, e hoje me encontro
dessa forma, dividida entre mim você e ele, aquele que me tenta e que está
sempre um passo a minha frente. Será o tempo ou a convivência? Serão os desejos
ou as malícias? Vejo-me em um jogo onde existem diversos caminhos, mas uma
única saída, eu não quero essa saída e sei que também não quer. Não sei se
foram as nossas aparências que me levaram a ti, não digo fisicamente, mas as
nossas idealizações, pensando bem, eu não o conhecia ainda quando vi você
chegando junto a mim, se bem que a princípio não era bem a mim que você estava
a vir, mas dane-se, você veio e desde a primeira vez que o vi é como se tivesse
encontrado comigo mesma, como se você não passasse de um espelho de mim que a
princípio não consegui entender muito bem os meus instintos que clamavam por um
pouco de ti, um pouco daquele que conseguia desvendar os meus pensamentos
talvez nunca desvendados pois era isso que ele vivia também, olhando com outros
olhos é como se eu tivesse me entregando ao desconhecido, ao mundo, um mundo
que por sinal já estava habitado, depois disso começaram as visões, o que eu
dizia você completava, senão o oposto, os mesmos focos, as mesmas idéias, o
mesmo objetivo, poderia mesmo ser possível? Entender tal situação foi o que eu
menos quis, não parou por ai, os encontros foram poucos, mas provaram que somos
como fogo e gasolina, bastassem estar perto, bastassem se tocar para que
comecem os incêndios, incontroláveis sensações, a cada abraço podendo sentir a
tua pele na minha como uma capa que envolve-me em meio aos estranhos, a tua
respiração sob a minha, e então eis que o pior dos erros foi cometido,
fecham-se os olhos e visito o meu mundo, arrepio-me com cada toque teu. Parece
saber onde tocar-me, parece saber onde me descontrolar, onde me tirar de mim, a
cada vez que me afastava tornava colar o meu corpo ao teu, ia então o meu
declínio, meu sangue subia, ficava sem reação. Simplesmente entregue a ti
querendo a cada vez mais daquilo que estava sentindo, nem que fosse por uma
única vez queria mais, queria saber se era momentâneo ou se ficaria grudado em
mim esse transtorno bom, que só contigo se tornava tão intenso. Chega então à
realidade, amedrontando- me, causando-me dúvidas, dúvidas que eu não pedi para
ter, seria errado viver esse momento intenso de nossas vidas? Eu sei que não
sou o centro do universo, e que existem outras pessoas envolvidas, sei também
que pessoas podem se machucar muito com isso, mas e a nossa vontade? Seria tão
pecador assim realizar um desejo que vive em nós? Eu tentei, confesso que por
várias vezes eu tentei evitar tal reação, mas parece que vai e vem esse desejo
continua a me consumir, como se tivesse feito do meu corpo a sua moradia
definitiva, como se nada mais importasse a não ser isso, cada sonho que tive e
que você teve, cada reação sua a mim, aos meus toques, aos meus suspiros, e
principalmente aos meus beijos, isso não deveria ser contado? Não quero
pressionar-te até porque quero que parta de ambos esse desejo, entendo que
temos que pensar nos outros, mas será que não chega de pensar tanto nos outros?
Talvez esse seja o momento que estava esperando para provar para você mesmo que
quer e que pode realizar os seus desejos mais escondidos, seus desejos mais
confidenciais, que sejam revelados a mim então?E que a ti sejam revelados os
meus. Como se a nossa amizade fosse um tanto colorida e que confiássemos um ao
outro, prazeres jamais subestimados, o prazer de vê-lo sorrir, de sentir os
seus abraços de deitar-te a cabeça em meu colo enquanto te acaricio e ouço as
tuas histórias diárias, poucos são aqueles ao qual eu seria capaz de desistir
de tudo por nem que seja um segundo em presença. Já lhes disse de seus olhos,
não? Pois bem, revelo novamente que já considerei impossível parar de olhar-te
enquanto estamos face a face, e seu leve sorriso, não um sorriso comum, mas um
sorriso convidativo, como se por um instante dissessem “ Kiss me. plis” e vou
em direção a ti como se as minhas forças se tornassem em vão comparadas ao
desejo, desejo esse que tenho e tive desde a primeira vez que te olhei. Um
tanto exagero de minha parte talvez, mas às vezes penso em algo e em meus
próprios pensamentos repenso, seriam então os mesmos pensamentos, as mesmas
dúvidas, as mesmas vontades e por fim os mesmos desejos que ele tem? Não posso
invadir-lhe a mente, mas confesso que queria, queria poder saber se as tuas
vontades se tornam tão intensas quanto as minhas e se por pouco, porém, intenso
tempo de uma suposta “amizade incontrolável” conseguisse desejar-me assim como
lhe desejo. Aos outros? Perdoe-nos, mas se não vivermos agora esses desejos,
quando viveremos? E será então na mesma intensidade que lhe digo agora?Não
espero uma dica, espero uma resposta definitiva, mas ao mesmo tempo não quero
que seja não, é como se as saídas fossem, sim ou sim, não existissem não, nem
talvez, como se não existissem os outros como se os únicos habitantes
existentes nesse mundo fossemos nós, mas eis a verdade, esse mundo não sacia as
nossas vontades, não supre os nossos mais ardentes desejos, e por fim então,
não confundirei ainda mais os seus propósitos e suas promessas, e aguardarei em
meio a delírios o instante em que dirás o que espero ouvir e sem pensar em nada
e nem em ninguém correrei aos teus braços, em busca se saciarmos os nossos
constantes desejos.

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